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A história da CCE

CCE, ou Comércio de Componentes Eletrônicos, é uma empresa de fabricação de eletrônicos que pertence ao grupo Digibrás Industria do Brasil S/A, controlado pela família Sverner. É uma empresa do tipo capital fechado, que foi fundada em 1964 em São Paulo, com sede em Manaus.

A empresa inicialmente foi fundada com a ideia de importar e comercializar componentes eletrônicos, mas apenas em 1971 que iniciou-se a fabricação de equipamentos completos. Em 2012, a empresa asiática Lenovo comprou a empresa, sendo que em 2015, ela devolveu o controle para a família Sverner.

CCE

Os equipamentos da CCE, de maneira geral, tinha uma qualidade inferior aos de suas marcas similares, no entanto, tinha a vantagem do preço ser mais acessível. Uma das características marcantes da CCE que a diferenciava de suas concorrentes, é que ela sempre ofereceu equipamentos populares como aquelas “3 em 1”, ou “2 em 1”. Por exemplo: rádio-gravadores, e outros portáteis como rádio-relógios.

Em 1970, a empresa japonesa Kenwood forneceu tecnologia para a CCE, que chegou a fabricar e vender equipamentos sob esta marca. No período de 1996 a 2002, a CCE fabricou e comercializou produtos de áudio, os famosos micro-systems, da fabricante japonesa Aiwa.

Na década de 1980, a CCE ingressou no mercado de videocassetes, e ao final da mesma década lançou sua linha de televisores. A CCE foi a única empresa brasileira a vender um videocassete “player”, que é aquele aparelho que possuía apenas a capacidade de reproduzir fitas pré-gravadas. Apesar de ter um custo menor que um aparelho convencional, o produto não obteve sucesso.

No setor de videogames, a empresa também na década de 180 fabricou o Supergame VG-2800, similar ao Atari 2600, e um aparelho chamado Top Game VG-8000/VG-9000, e depois o TurboGame, jogos populares na época. Este era compatível com o Nitendo 8 bits, e podia até aceitar cartuchos nos padrões japonês e americano.

A empresa também vendeu um equipamento chamado Exato, um microcomputador no padrão Apple II, bem como o MC-1000, um microcomputador de baixo custo para concorrer com o CP400 da empresa Prológica.

Em 1998 a CCE ingressou no mercado de eletrodomésticos fabricando freezers e geladeiras. Já em 2004, ocorreu a fusão das marcas CCE e GE Dako a partir da compra da empresa Mabe da linha de refrigeradores da CCE. A empresa Mabe Brasil foi extinta em 2016.

Em janeiro de 2013 a CCE lançou tablets com Android 4.0.3: Motion Tab T733 e Motion Tb T735.

A compra pela empresa chinesa Lenovo da marca CCE ocorreu pela aquisição da Digibras por R$700 milhões. No entanto, em 2015 a transação comercial com a Lenovo foi desfeita, quando a empresa deixou propositalmente de pagar as parcelas restantes do contrato e, assim, a CCE voltou a ser controlada pelo grupo Digibras, empresa pertencente à família Sverner.

Mas, por que será que a Lenovo desistiu da aquisição da CCE?

O que levou a Lenovo a adquirir a CCE foi a necessidade e placas-mãe para suas peças. No entanto, a partir da percepção que os produtos da marca CCE não eram competitivos, visto que o padrão de qualidade deles era inferior à concorrência, bem como os projetos da CCE não tinham objetivos em comum com os da Lenovo, a empresa asiática decidiu investir pesado na criação de um processo sólido de fabricação de placas-mãe de alta qualidade que seriam usadas para atender a demanda da sua fábrica de computador em Indaiatuba.

Quando a Lenovo decidiu seguir em frente com esse objetivo decidiu devolver a Lenovo para seus antigos donos, que até hoje produz e vende placas-mãe para Lenovo, que a considera a mesma a melhor fornecedora deste componente no Brasil.